sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tenho a porta de casa aberta,a janela do meu quarto também...
Arejo a casa apesar da hora tardia,na esperança e na certeza de afastar...as minhas remoídas tristezas de quarentona...apesar da musica que ouço ao mesmo tempo que escrevo ser tremendamente melancólica...Sao as minhas dualidades...
Cheguei de um local onde normalmente vou para ver gente ,ouvir musica...e sentir que sou "normal"...
Conversei com um mestre...que me encanta pela sabedoria de tantos assuntos nos quais sou completa e absolutamente leiga...
E falo-lhe sem que ele consiga aprender,para minha tristeza ,que a vida não é só aquilo que ele conhece...
Parece uma conversa de surdos cheia de entrelinhas ,alineas...que ele teima em nao ler ...
Como dizer ao mestre que sou gente...se ele me "vê" como se estivesse numa sala de conferencias em plena oratória,e eu fosse a senhora que nos corredores limpa os vidros enquanto a conferencia decorre...
Como pode saber coisas bonitas a senhora que limpa os vidros!!!
E tantas histórias das verdadeiras ,encerra a sua sabedoria...!!!
Mas sao daquelas que nao se escrevem em livros,sao daquelas que se vivenciam com alegria e com dor...com sorrisos e com lágrimas...
O mestre conhece o mundo...
O mestre conhece a ciencia...
O mestre conhece ...tantas coisas ,que eu também gostaria de saber...mas...
Será que o mestre conhece o quanto me magoa quando me olha,como se eu fosse um pouco mais que nada...?
Tantas coisas que ele tem para aprender com quem limpa os vidros dos corredores de um qualquer centro de conferencias...
Mas nao posso ensiná-lo enquanto ele nao me olhar como gente...
Talvez nao queira nunca aprender...que pena...eu gostava de o poder ensinar e por instantes inverter os papeis...nao na mestria, mas na magia do olhar...
Nao limpo muitos vidros,limpo alguns,mas sobra tempo para aprender e ensinar ao mestre o amor que existe em tratar da velhice ,e das suas maleitas...porque cuidar é o meu oficio...
Sou sim um grao de areia ,neste mundo de pessoas,que se creem algo mais que outro alguém qualquer...
Mestre dos olhos magicos,desça da torre onde se trancafiou...misture-se no mundo...
O mundo está cheio de outros ensinamentos ...que nao vêm em manuais...
Mestre os graos de areia também têm sentimentos ...a elite é uma fantasia...
A elite na velhice é igual a qualquer grao de areia...
Dê-me a sua mao mestre e deixe-me dizer-lhe ...a cor bonita do meu "mundo"...cheia de panos coloridos,que limpam lembranças feias dos vidros e lhes dao transparencia,e luminosidade...
Deixe-me mostrar-lhe como é gratificante sorrir para alguém que já nao se lembra sequer do seu proprio nome ,mas que consegue ser imensamente feliz enquanto lembrar fugazmente ...que viu um sorriso...
Mestre o mundo é uma dualidade...dê-me a mão...deixe que o guie...

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espreito pelo canto dos olhos a minha alma,ávida de encontrar "coisas"sobre mim que desconheço!

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